BRASÍLIA - O ministro do STF Marco Aurélio Mello decidiu manter na prisão o governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda. Mello não irá ao tribunal nesta sexta-feira. Ele ditou a decisão para um assessor, que a redigiu e repassou para o ministro, para revisão. O teor da sentença ainda não foi divulgado.
José Roberto Arruda se entregou ontem à tarde à Polícia Federal após ter a prisão preventiva decretada pelo Superior Tribunal de Justiça. Ele passou a noite na prisão e a expectativa dos advogados era de que fosse solto ainda hoje. Ainda cabe recurso ao plenário do Supremo.
O governador afastado do DF é acusado de liderar um esquema de corrupção, que envolve vários assessores. O estopim da decretação da prisão preventiva pelo STJ foi a tentativa de subornar o jornalista conhecido como Sombra. Um aliado de Arruda foi flagrado entregando uma sacola com R$ 200 mil a Sombra, testemunha importante do Mensalão do DEM. O STJ entendeu que José Roberto Arruda estaria atrapalhando as investigações.
Além de Arruda, a decisão da Corte inclui outras quatro pessoas: o ex-deputado Geraldo Naves, o ex-secretário de Comunicação do governador, Wellington Moraes, o ex-secretário particular de Arruda, Rodrigo Arantes e Haroaldo Carvalho, ex-diretor da Companhia Energética de Brasília (CEB). Também foi decretada a prisão de Antônio Bento, conselheiro do metrô do DF, preso em flagrante pela Polícia Federal há duas semanas, quando entregava R$ 200 mil ao jornalista Edmilson Edson dos Santos, o Sombra. A tentativa de suborno teria como objetivo favorecer o governador nas investigações da Operação Caixa de Pandora, sobre o suposto esquema de pagamento de propina.
O mensalão do governo do DF, cujos vídeos foram divulgados no final do ano passado, é resultado das investigações da operação Caixa de Pandora, da Polícia Federal. O esquema de desvio de recursos públicos envolvia empresas de tecnologia para o pagamento de propina a deputados da base aliada.
O governador José Roberto Arruda aparece em um dos vídeos recebendo maços de dinheiro. As imagens foram gravadas pelo ex-secretário de Relações Institucionais, Durval Barbosa, que, na condição de réu em 37 processos, denunciou o esquema por conta da delação premiada. Em pronunciamento oficial, Arruda afirmou que os recursos recebidos durante a campanha foram "regularmente registrados e contabilizados".
As investigações da Operação Caixa de Pandora apontam indícios de que Arruda, assessores, deputados e empresários podem ter cometido os crimes de formação de quadrilha, peculato, corrupção passiva e ativa, fraude em licitação, crime eleitoral e crime tributário.
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